Em empreendimentos de energia, o projeto executivo concentra informações de diferentes disciplinas que precisam convergir antes da implantação.

Nesse contexto, a metodologia BIM (Building Information Modeling) vai além da representação tridimensional. A Estratégia BIM BR define BIM como um conjunto integrado de processos e tecnologias que permite criar, utilizar, atualizar e compartilhar colaborativamente modelos digitais ao longo do ciclo de vida de uma construção.

A ISO 19650 reforça essa perspectiva ao tratar BIM dentro de uma estrutura de gestão da informação, envolvendo organização, registro, versionamento e troca de informações entre os participantes de um empreendimento.

É essa integração que torna a metodologia especialmente relevante em projetos que envolvem diferentes especialidades de engenharia.

Na EPER Energia, todos os projetos executivos são elaborados em metodologia BIM. O Revit é utilizado para compatibilização entre pranchas, otimização das listas de materiais e desenvolvimento de soluções para possíveis dificuldades identificadas ainda na fase de projeto executivo.

Como o BIM funciona no projeto executivo?

Quando diferentes disciplinas fazem parte do mesmo empreendimento, não basta desenvolvê-las isoladamente. É necessário trabalhar também as interfaces existentes entre elas.

A compatibilização é uma das aplicações do BIM. Documentos de referência da administração pública associam a metodologia à coordenação de modelos, detecção de interferências, revisão dos projetos e extração de quantitativos.

Nos projetos executivos da EPER, as disciplinas Civil, Eletromecânica, SCADA e CFTV são modeladas em 3D, enquanto o Revit é utilizado na compatibilização entre as pranchas.

Aqui existe uma distinção importante: BIM é a metodologia; Revit é uma das ferramentas utilizadas para aplicá-la.

Isso evita uma associação comum entre BIM e simples modelagem 3D. A metodologia envolve também processos e informações que dão suporte ao desenvolvimento e à coordenação do projeto.

Quais são os benefícios do BIM em projetos de energia?

Quando aplicado ao projeto executivo, o BIM permite trabalhar de forma integrada informações que posteriormente orientarão a implantação. Entre os principais benefícios estão:

  1. Compatibilização entre disciplinas
    A visualização e análise conjunta dos modelos facilita a identificação das interfaces entre diferentes especialidades antes da execução.
  2. Identificação antecipada de interferências
    A detecção de conflitos durante o desenvolvimento do projeto permite que inconsistências identificáveis no modelo sejam tratadas antes de chegarem ao campo. Esse é um dos usos reconhecidos do BIM em documentos técnicos governamentais.
  3. Maior previsibilidade para a execução
    Trabalhar previamente as interfaces e informações do projeto amplia a capacidade de analisar o que será executado antes da implantação. Referências públicas sobre BIM associam a metodologia a maior previsibilidade, controle e redução de incompatibilidades nos projetos.
  4. Otimização de materiais
    Modelos BIM podem ser utilizados para extração e organização de quantitativos. Na EPER, o Revit é aplicado especificamente à otimização das listas de materiais dentro dos projetos executivos.
  5. Mais eficiência no processo de implantação
    Informações compatibilizadas antes da execução contribuem para que o projeto chegue ao campo com maior consistência. Experiências documentadas pelo poder público relacionam o BIM a redução de erros, ganho de produtividade e maior eficiência ao longo do ciclo das obras.

Esses benefícios não significam eliminar todas as variáveis próprias de uma implantação. O valor do BIM está em utilizar a etapa de projeto para analisar antecipadamente aquilo que pode ser identificado e organizado antes da execução.

Da modelagem à realidade de campo

Um ponto importante da aplicação do BIM na EPER está justamente na relação entre projeto e implantação.

Além da compatibilização das disciplinas, utilizamos o Revit para desenvolver soluções para possíveis dificuldades encontradas em campo ainda na fase de projeto executivo.

Isso permite trabalhar determinadas questões enquanto elas ainda pertencem ao ambiente do projeto, antes que avancem para a execução.

A modelagem também não se limita à geometria. Os elementos digitais podem carregar informações associadas ao empreendimento, e a extração de quantitativos é um dos usos reconhecidos do BIM.

Na prática da EPER, essa dimensão informacional aparece também na otimização das listas de materiais realizada no desenvolvimento dos projetos executivos.

BIM é obrigatório em projetos de energia?

Não existe uma exigência universal que torne o BIM obrigatório em todo projeto de energia.

No Brasil, a adoção da metodologia pode estar associada aos requisitos do contratante, ao escopo do projeto, a editais e instrumentos contratuais ou a normas específicas aplicáveis à contratação.

A Estratégia BIM BR, atualmente instituída pelo Decreto nº 11.888/2024, tem como objetivo estimular e ampliar a utilização do BIM no país. Ao mesmo tempo, existem contextos específicos em que órgãos públicos ou normas de contratação estabelecem sua utilização como requisito.

Por isso, a necessidade de utilização da metodologia deve ser verificada de acordo com o empreendimento e as exigências aplicáveis ao projeto.

Na EPER, independentemente dessa discussão regulatória, a metodologia BIM integra o processo utilizado no desenvolvimento dos nossos projetos executivos.

BIM aplicado aos projetos de energia da EPER

A aplicação do BIM está inserida em uma atuação mais ampla da EPER Energia no setor elétrico.

Atuamos com projeto, construção, comissionamento, manutenção, operação e Engenharia do Proprietário em hidrelétricas, usinas solares, parques eólicos, subestações e linhas de transmissão.

Dentro dos projetos executivos, nossa aplicação documentada da metodologia BIM está concentrada em três frentes: modelagem 3D das disciplinas Civil, Eletromecânica, SCADA e CFTV; compatibilização entre pranchas; e otimização das listas de materiais e desenvolvimento de soluções para possíveis dificuldades de campo ainda na fase de projeto.

Mais do que utilizar uma ferramenta de modelagem, o objetivo é integrar informações que precisam convergir antes da implantação.

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